Luciana Crivellari Dulci
Fala-se em moda desde o século XIX, como uma importante manifestação cultural, sobretudo no ocidente. A moda envolve um conjunto de elementos e práticas, que são percebidas através dos modos e das escolhas realizadas, pelas pessoas, na composição de sua apresentação pessoal.
Para Daniela Calanca, no livro “História social da moda” (Editora SENAC), o termo “moda” quer dizer, especificamente, o fenômeno social da mudança cíclica dos costumes e dos hábitos, das escolhas e dos gostos, coletivamente adotado e tornado quase obrigatório!
Já no dicionário Caldas Aulete, moda é “o uso geralmente adotado de vestir ou de fazer qualquer coisa; é estar em voga, fazer com que a opinião geral aceite o uso de alguma coisa como moda”. Sair de moda é deixar de estar no gosto do dia, deixar de ser usado.
A moda é um fenômeno social que expressa valores políticos, morais e culturais, em qualquer manifestação que represente tais valores, crenças e costumes. Esta representação pode ser vista na arquitetura, no mobiliário, nas artes plásticas, na linguagem, nas ideologias etc.
Recentemente e cada vez mais, associa-se “moda” ao vestuário e ao conjunto de elementos que o compõe: as roupas, acessórios e os modos de vestir. Como diz Daniela Calanca, moda é a renovação constante das formas, feitios e ornamentos. Essas mudanças e a espera pelo novo se tornam um valor social, uma norma coletiva e são seguida por todos.
O vestuário assume então, o papel de representar interesses e motivações individuais, como também o de apresentar regularidades sociais em suas manifestações. No sentido original, moda é entendida como uma forma de expressão social. Se não existe desejo de se identificar com algum grupo, atitudes, valores, hábitos e, consequentemente, um modo de vestir que caracterize isso, não existe moda e sim maneiras singulares de vestir e representar a si próprio.

Hoje, contudo, o sentido da moda se ampliou, significando as tendências de uso no vestuário, que são múltiplas e podem constituir tribos diferentes. Além de não haver mais uma única moda a ser seguida, existe também a possibilidade de expressar um estilo único, pessoal, sem vínculo com grupos específicos, misturando elementos de tendências diversas. Moda pode ainda estimular o consumismo ou ser um campo para a expressão artística. Essa riqueza de elementos levou a moda a se profissionalizar como profissão, negócio e tema de estudos e pesquisas.
Luciana Crivellari Dulci é uma amiga recente, apresentada pela equipe mineira d’À Moda da Casa e que está chegando para a nossa equipe. Professora no Ensino Superior, Doutora e Mestre em Sociologia da Cultura. Tem como temas principais de pesquisa e interesse a cultura de massa, mídias, redes sociais, moda e consumo.