Joyce Silva
A moda e o cinema sempre andaram de mãos dadas. Parece clichê, mas é uma verdade. A roupa é uma radiografia do comportamento de uma sociedade. Num filme, o figurino constitui um fator de rejeição/aproximação do espectador em relação aos personagens. Que diga os personagens e seus figurinos que viraram clássicos até hoje. Vamos fazer uma viagem através dos filmes partindo da década de 70 até os dias atuais. Uma viagem onde, em paralelo aos filmes, viu-se surgir movimentos sociais.
Nos anos 70 surgiu nos subúrbios londrinos uma geração pessimista, que, impulsionada pela grande convulsão social ocasionada pela recessão econômica, se colocavam contra a forma de consumo e dominação. Para isso, usavam um visual agressivo, tomando o nome de punk, para esse movimento. Muitos de seus integrantes utilizavam cabelos espetados e usavam símbolos controversos, como a suástica como forma de deboche para os valores políticos.
Em paralelo a esse movimento que estava começando, no cinema vemos o movimento contrário, buscando um saudosismo de décadas passados, como os anos 50, do filme Grease – Nos tempos da brilhantina [1978],ou o colorido das discotecas, indo contrário ao preto e o pessimismo dos punks, com Embalos de Sábado a noite (1977). No primeiro filme vemos as saias rodadas, a jaqueta de couro, característica dos anos 50; e no segundo, a calça boca-de-sino que viraram hit na moda nos anos 70 (quem não usou calça boca de sino nessa época?! Que o diga seus pais e avós!).

Outro visual presente nos filmes dessa época era o futurista como no Guerra das Estrelas, de George Lucas (1977), que continuou até a década seguinte, com as ombreiras nos paletós, calça bag e camisas em tons pastéis. Ao mesmo tempo, a mulher estava começando a entrar de forma massiva no mercado de trabalho. O movimento feminista queria igualá-las aos homens e porque não representar isso através da moda?! Como a personagem Annie Hall (Diane Keaton) do filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), de Woody Allen, com figurino masculino de Ralph Lauren, com camisa masculina. gravata e colete.
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Já na década de 80 era comum o exagero. Cabelos com ultra volume, os paletós com ombreiras até exageradas, as cores cítricas e até as calças bag, que estão na moda novamente. Exemplo do filme Garota de Rosa Shocking (1986), com a personagem que tem no guarda-roupa peças usadas atualmente como paletós larguinhos, tipo masculino (que hoje são chamados de ‘paletó do namorado’). O uso de chapéus, broches e outros acessórios, bem contemporâneo.

Em Procura-se Susan Desesperadamente (1985), as personagens de Rosanna Arquette e Madonna usam roupas que hoje podemos ver nas principais coleções atuais, como a calça legging, jaqueta de couro, muitos colares, cintos e estampas de animal e a calça semibaggy. No filme Harry e Sally (1989) a personagem de Meg Ryan também mostra peças usadas atualmente; a calça de cós alto, sueters, camisas, casacos e paletós largos. O filme símblo da década de 80, Curtindo a Vida Adoidado (1986), mesclava vários estilos, com camisas esportivas jeans, jaqueta de couro estilo motoqueiro e malha com estampa clássica. Em Flash Dance (1983), a personagem das famosas polainas, usava muito o moleton que vimos em coleções passadas de inverno.



No início dos anos 90, observamos o surgimento do movimento grunge, que tem como característica ironia, sarcasmo, crítica social e sentimento de inferioridade. Os grunges se colocavam contra os valores sociais , o consumismo exagerado e a beleza superficial. Dessa forma, pouco se importavam com a própria imagem, adotando um jeito largado de se vestir. Suas características pricipais são a blusa de flanela, calça rasgada e o tênis all star, símbolos que identificamos também em filmes atuais como Juno (2007) . Na década de 90 volta à moda a calça de cintura alta, camisas com golas, coletes e moletons do Hard Rock Café, como podemos ver em Single (1992), bem característico dessa década. Ao mesmo tempo, observamos uma simplicidade minimalista ao se vestir, com o branco e preto dos filmes de Quentin Tarantino, como Pulp Fiction (1994).



Já para a década atual não podemos definir uma característica específica. O que há é uma mistura do que foi visto anteriormente e até mesmo brincadeiras com personagens e pessoas reais, como em O Diabo Veste Prada, inspirado na lendária editora da Vogue América, Anna Wintour, interpetada por Meryl Streep. O filme é um verdadeiro desfile de roupas chiquérrimas, como o casaco branco Chanel usado por Anne Hathaway. Outro exemplo desse mix de épocas é o filme de Sofia Coppola , Maria Antonieta (2006) que se passava no século 18 e conta a história da última rainha francesa antes da revolução e que ditou moda. Mas, o que poderia ser um filme sisudo de época, é um longa com figurino de pegada de rock, por conta de uma mistura de trajes de época e trilha sonora pop. A própria Sofia brinca com o atual e o passado quando coloca em cena um all star [!] entre os sapatos da rainha [a maioria feita por Manolo Blahnik, especialmente para o filme].




Os estilistas da sétima arte e figurinistas veem seus figurinos na rua transformando o cotidiano em grandes cenas do cinema. Ou seria o contrário? Afinal de contas, a moda imita o cinema ou o cinema imita a moda?






21 ago 09 às 18:26:59
Parabéns pelo post, Joyce!
22 ago 09 às 16:36:58
[...] First Tweet 21 hours ago minhamelissa Get the Look Moda e cinema, post super legal do À moda da casa: http://www.amodadacasa.net/blog/?p=1023 view retweet [...]
22 ago 09 às 21:53:26
adoooooorei a seleção.
qdo der, me visita!
bj
cy
27 ago 09 às 21:47:07
Adorei!
10 set 09 às 00:28:25
[...] Taylor Momsen; Citação Sobre Elegância; Plumas; Moda e Cinema. Contato: e-mail: ebanja@gmail.com MSN: ebanja@hotmail.com CategoriasBlitter Currículo [...]